Em sua fase de encerramento, o Projeto Rádio Ecologia, que criou o site www.dosmatos.org.br - do Núcleo de Ecomunicadores dos Matos (NEM), apoiou a constituição jurídica da ONG e lançou o primeiro programa radiofônico ecológico do Pantanal, divulga um diagnóstico realizado com especialistas em meio ambiente e com as principais rádios comerciais e comunitárias, AMs e FMs, da bacia hidrográfica do Alto Paraguai (BAP).
Com objetivo de contribuir com a melhoria da qualidade de vida das populações da região, o programa produziu 32 edições temáticas sobre Pantanal e meio ambiente. Entrevistas, dicas de saúde e alimentação, spots sobre cidadania e educação ambiental, músicas, espaço para a manifestação da população e a radionovela Coração Pantaneiro compuseram os conteúdos do Boca da Mata - programa de gente, bicho e planta.
Formadores de opinião
Para o biólogo e diretor executivo da Ecoa, ONG com representativa atuação no Pantanal, "o rádio é a principal ferramenta de comunicação para atingir as populações dessa região, tanto as que moram na planície pantaneira, como as que vivem nas cidades periféricas". Em sua opinião, informações de qualidade ajudam a melhorar a vida das pessoas.
Já o diretor de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (SRHU/MMA), Marco José Melo Neves, acredita no poder da comunicação e educomunicação para a disseminação de informações que incentivem a cidadania, a participação nas políticas públicas e a democratrização dos conhecimentos. "O Boca da Mata é uma iniciativa que chega à planície pantaneira e dissemina educação ambiental. Acho que o programa pode ter um alcance muito maior porque também traz a possibilidade de mudanças de atitudes, e isso pode gerar melhoria de qualidade de vida para o pantaneiro", ressalta Neves.
Professor e educador ambiental
O professor Paulo Robson de Souza, que é educador ambiental, especialista na disciplina de práticas de ensino de biologia, e leciona para futuros biólogos na UFMS, também é fotógrafo de natureza, poeta e autor de várias publicações e jogos ambientais. Ele acredita que no Pantanal, principalmente, o rádio é o meio de comunicação mais importante, devido às dificuldades de transporte durante o período da cheia, quando muitas fazendas ficam isoladas por dois a três meses. "Lá em casa tem duas TVs, um monte de meios de comunicação e internet e adivinha quem me acompanha no banho? É o rádio, que continua sendo um poderoso instrumento de comunicação!", revela Souza. Como professor e com vasta experiência em educação ambiental, o professor acrescenta: "eu acredito que as crianças e os professores que ouvem o Boca da Mata formam uma opinião própria sobre cada assunto e isso, com certeza, deve trazer melhorias no aprendizado, nas mudanças de hábitos desses ouvintes."
Vozes pantaneiras
A importância da comunicação e do jornalismo ambiental cresceu na última década, principalmente com a difusão de informações e conhecimentos sobre as mudanças climáticas e aquecimento global. Em 2010 o Núcleo de Ecomunicadores dos Matos, juntamente com a Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental realizam o III Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, em Cuiabá-MT.
O tema do evento é um antigo e polêmico paradigma: desenvolvimento e meio ambiente. Em entrevista à equipe do Boca da Mata, o secretário executivo do congresso, o jornalista ambiental André Luis Alves, lembrou do programa Natureza Viva, da radialista Mara Régia, veiculado na região amazônica com sucesso. "Mas o Pantanal também tem sua importância, tem uma população que precisa ser ouvida e o Boca da Mata faz esse papel fundamental", afirma Alves. Na opinião do jornalista, o programa radiofônico tem grande potencial para sensibilizar os ouvintes das rádios e ser trabalhado em escolas e comunidades. "Existem excelentes conteúdos que trazem reflexões, seja nas reportagens, dicas e na própria radionovela", ressalta.
Radialistas de MT aprovam programa
Das 37 emissoras da bacia do Alto Paraguai (BAP) que receberam o Boca da Mata, 27 veicularam as edições na íntegra ou em partes, difundindo as informações para 52 municípios da região nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e também nas regiões de fronteira do Paraguai e Bolívia.
O formato, a edição dinâmica dos conteúdos e a gratuidade tiveram boa aceitação das rádios, que demandam informações ecológicas produzidas por jornalistas ambientais. Outro fato que despertou interesse das FMs e AMs parceiras para veicularem os conteúdos é a liberdade de poderem incluir nos programas apoio ou patrocínio local.
Nas entrevistas à equipe do projeto Rádio Ecologia, radialistas, diretores comerciais e de programação, além dos proprietários das emissoras ressaltam a importância de continuidade do Boca da Mata, por meio de patrocínios ou apoios de empresas e poderes públicos.
No estado de Mato Grosso, por exemplo, o programa ganhou parceria da MT Via Rádio, uma agência que distribui conteúdos radiofônicos para mais de 100 emissoras cadastradas no estado. "Aqui em Mato Grosso existem muitas agressões ao meio ambiente e o Boca da Mata ajuda a melhorar a formação da criançada, principalmente no norte e região do Baixo Araguaia", informam os administradores da agência, André Ribeiro e Jurandir Antônio Francisco.
Na opinião do DJ e radialista da 105,9 FM, Cleiton Sete, de Cuiabá-MT, "o programa é nota mil, de utilidade pública e muito importante para ajudar a disseminar informações ambientais". Segundo Sete, muitos ouvintes ligam para a emissora elogiando os conteúdos e perguntando sobre a radionovela.
Nos fins de semana ouvintes das áreas rurais, principalmente, dos municípios mato-grossenses de Acorizal, Jangada, Rosário Oeste, Chapada dos Guimarães, além de Cuiabá, estão sintonizando na 87,9 FM as informações do Boca da Mata. "Em Rosário Oeste, onde está a sede da rádio, temos um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) muito baixo e por isso acreditamos que as informações do programa contribuem para melhorar a qualidade de vida", acredita o presidente da emissora, Claudemiro Gomes do Nascimento. Em Chapada dos Guimarães, outra emissora também recebe as edições do Boca da Mata, é a Ecovale 104,9 FM. Para o locutor e programador, Walmir Márcio Santana, o programa é uma iniciativa rara que oferece aos meios de comunicação "acesso a informações que nem sempre são fáceis de obter ou divulgadas na mídia".
Em MS, Boca da Mata ajuda na sensibilização ambiental
Na capital de MS, Campo Grande, duas rádios ajudam a difundir o Boca da Mata. Na rádio Maracanã, transmitida para 12 bairros, os conteúdos são inseridos durante a programação. Na opinião do diretor, Ozias Martins, a edição e produção dos materiais incentivam o aprendizado. "Muita gente não conhece nada de meio ambiente e precisa de ser sensibilizada!" lembra. Outra emissora da capital é a Nova FM, que chega a 121 bairros. Todos os dias, um tipo de conteúdo ecológico é inserido na programação e o bloco do Berrante Notícias é enriquecido com comentários dos radialistas.
No município pantaneiro de Aquidauana-MS, a FM PANtanal, líder de audiência (80%), atinge 22 municípios e divulga o programa em partes, durante a programação diária. "Nossa missão é falar sobre os ecossistemas pantaneiros e o povo do Pantanal que recebe as informações do Boca da Mata se identifica com elas", afirma a diretora comercial, Guaraciaba de Fátima Gomes.
Mais ao norte do Pantanal, onde está localizado um dos maiores desastres ambientais do Brasil, o assoreamento do rio Taquari, duas rádios transmitem as edições ecológicas produzidas pelo NEM. Na FM Pantaneira, que ocupa o primeiro lugar nas pesquisas de opinião de Coxim-MS, os conteúdos são transmitidos diariamente. Segundo o radialista Augusto Marques, este é o primeiro programa ambiental veiculado pela emissora. "A produção e as entrevistas são muito bem feitas e o programa ajuda as pessoas a conhecerem mais sobre sua região, incentivando a conservação ambiental".
Já a rádio Vale do Taquari, outra parceira do Boca da Mata em Coxim, veicula os programas com o diferencial de ser transmitida em Amplitude Modulada. "Os ouvintes da AM prestam atenção no que está sendo falado e refletem sobre as informações, muito diferente do público das FMs", afirma o coordenador geral e radialista, Geovan Pereira de Oliveira.
Em Bonito-MS, cidade conhecida mundialmente pelas águas cristalinas e ecoturismo, o diretor da FM Lago Azul, Olcir José Tigcon, informa que seu público é bastante informado pelo fato da cidade abrigar inúmeros projetos e empreendimentos ambientais. A emissora tem 83% de audiência e recebe muitas ligações de ouvintes elogiando os conteúdos do Boca da Mata. "Meio ambiente é um tema atual e está cada vez mais em pauta, por isso acho que o programa incentiva as pessoas a buscarem melhor qualidade de vida com as informações que recebem", lembra Tigcon.
Um dos públicos que mais deram retorno ao Boca da Mata são os ouvintes da Guaicurus FM, de caráter comunitário e única rádio de Porto Murtinho, cidade na fronteira com o Paraguai, no extremo sul do Pantanal. Inicialmente com bastante receio de colocar no ar, o diretor da emissora, Cipriano Dias, confessa que após receber diversas ligações de ouvintes, professores e alunos que pediam a reprise das primeiras edições do Boca da Mata veiculadas, começou a divulgar o programa todos os sábados pela manhã. "Os jovens e professores pedem para reprisar os programas para fazerem pesquisas e as crianças estão ligando pedindo para repetir os capítulos da radionovela, perguntando onde é que moram as ariranhas da história!" conta Dias.
Além de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, recebem e veiculam o Boca da Mata - programa de gente, bicho e planta, rádios da fronteira com o Brasil, no Paraguai (municipalidade de Carmelo Peralta), e na Bolívia, em Puerto Quijarro.
Municípios de alcance das rádios que receberam o Boca da Mata:
1. Acorizal - MT
2. Alcinopólis - MS
3. Alta Floresta - MT
4. Anastácio - MS
5. Antônio João - MS
6. Aquidauana - MS
7. Bandeirantes - MS
8. Barão do Melgaço - MT
9. Bela Vista - MS
10. Bodoquena - MS
11. Bonito - MS
12. Cáceres - MT
13. Camapuã - MS
14. Campo Grande - MS
15. Caracol - MS
16. Caarapó - MS
17. Carmelo Peralta - PY
18. Chapada dos Guimarães - MT
19. Corguinho - MS
20. Corumbá - MS
21. Coxim - MS
22. Cuiabá - MT
23. Deodapólis - MS
24. Dois Irmãos do Buriti - MS
25. Douradina - MS
26. Dourados - MS
27. Fátima do Sul - MS
28. Gloria de Dourados - MS
29. Guia Lopes da Laguna - MS
30. Itaporã - MS
31. Jangada - MT
32. Jaraguari - MS
33. Jardim - MS
34. Maracajú - MS
35. Nioaque - MS
36. Nova Alvorada do Sul - MS
37. Pedro Gomes - MS
38. Ponta Porá - MS
39. Porto Murtinho - MS
40. Puerto Quijaro - BO
41. Ribas do Rio Pardo - MS
42. Rio Brilhante - MS
43. Rio Verde - MS
44. Rochedo - MS
45. Rondonópolis - MT
46. Rosário Oeste - MT
47. Santo Antônio do Leverger - MT
48. Sidrolândia - MS
49. Sonora - MS
50. Tangará da Serra - MT
51. Terenos - MS
52. Várzea Grande - MT